sexta-feira, 29 de junho de 2018

Pensamento do dia: Saudade


Tem uma coisa que vem me incomodando a vários dias. Como a monotonicidade é tão angustiante! Eu gosto de fazer coisas, quaisquer tipos de coisas. Menos as coisas erradas. E ultimamente eu só faço 5 coisas: acordar, trabalhar, comer, estudar e dormir. Eu era uma pessoa tão aventureira, fazia viagens para vários lugares, entrava em cavernas, fazia trilhas de 3 horas, subia montes, mergulhava em cachoeiras, pescava em lagos, conhecia novos lugares, estava na praia quase todos os fins de semana. E agora o que sobrou? Só a saudade. kkk. Crescer é uma infelicidade. Você recebe responsabilidades que não está preparado e ganhando um salário de R$1000,00 reais. É de chorar. Quando você paga faculdade, e um celular novo, porque o antigo foi roubado! Quero expressar rapidamente minha indignação com essa porcaria dessa humanidade que não tem vergonha na cara de arrumar um emprego de qualquer coisa, no lugar de roubar os outros. Enfim, eu sinto muita falta de fazer coisas diferentes. Sinto falta da natureza. Meu namorado não gosta nem da grama que nasce na calçada da minha casa. Se ele soubesse o quanto isso me entristece... Eu gosto muito de estar na natureza, longe da loucura da cidade, de todo mundo se xingando porque não conseguem guardar seus próprios estresses para si mesmos. Sinto falta de sentir no rosto a brisa da praia, da planície, da água do mar, da água do lado, do rio, da cachoeira gelada que gela até seus órgãos internos, do céu tão cheio de estrelas, que nem parece o mesmo céu da cidade. Sentir a adrenalina de fazer uma tirolesa bem alta, de andar no meio da mata fechada em trilhas, de ir pra lugares que nunca foi e explorar tudo, de entrar em uma gradinha quadrada e adentrar uma caverna com água. O cheiro de grama molhada, um forno a lenha, uma casa de madeira, uma sauna e uma piscina gelada. As comidas: truta, caranguejo, lagosta, marisco, camarão, moqueca, castanha de cajú, tapioca com manteiga, miojo, frango assado. São muitas lembranças. Mesmo assim, eu gostaria de fazer novas lembranças, mas não posso. E isso é o que me deixa angustiada. Não poder. Não ter condições. Faço faculdade de Sistemas de informação, atualmente no quarto semestre. Sei que isso vai me permitir realizar esses desejos, mas até lá, é triste. Porque vivo esses dias querendo que passem voando e essa é minha vida. Claro que quero aproveitar cada segundo, e que ficar pensando nisso, é perda de tempo. Mas me preocupa. Esse tédio que nunca passa, fico camuflando com séries sul-coreanas. As garotas de 15 anos tem uma vida mais agitada que a minha, com as intrigas na escola, paixonites sem sentido... 



Quer saber? minha vida é muito boa! Meu namorado me ama e nós quase nunca brigamos. É praticamente perfeito. Minha mãe é muito boazinha, mas quase nunca falo com meu pai...explicações no próximo capítulo... Meu padrasto, bom... Ele é legal e me irrita ao mesmo tempo. Só o que tenho a dizer é que eu gostaria de morar em um apartamento sozinha bem calmo e silencioso, sem MÚSICAS NA MINHA ORELHA DIA E NOITE! Fora isso, tudo ok. Meu trabalho é... poderia ser outro... Eu até acho legal o que eu faço, mas poderia ser em outro lugar, com outras pessoas e com outro chefe... basicamente isso kkkk. A faculdade é a parte do dia que eu mais gosto, apesar de demorar 1 hora pra chegar lá. Gosto de aprender, gosto da matéria, dos professores, minhas notas são 👍👌 e o pessoal é super legal! Altas risadas. Porém, não fiz nenhum amigo significante...



É muito boa, mas sinto falta de estar em lugares diferentes.

Deus

Já faz um tempo que não falo sobre o meu colapso, a crise de pânico. Já faz mais ou menos 2 anos. É uma daquelas coisas que simplesmente não tem explicação, mas me esforço o máximo possível pra que aquilo nunca mais aconteça. Tudo por causa de uma simples viagem. Como eu já tinha dito no post passado, quando você não tem ninguém, acaba de apegando demais a única pessoa que tem. Me apeguei tão forte que quando pensei que ia perder, entrei em desespero. Eu sei o valor que tem meu namorado, ele é a pessoa mais boa e direito que eu já conheci e eu nunca vou encontrar uma pessoa assim de novo, era o que eu pensava na época. E o fato de eu ter me confundido achando que gostava de outra pessoa, me deixou em pânico. Como eu pudia ser tão ridícula, como eu poderia gostar de outra pessoa se a pessoa que eu tenho é perfeita. Como eu deixei isso acontecer? Mas eu pedi pra ele não ir viajar, e ele foi mesmo assim. Eu sabia que eu não estava bem e eu só pedi pra ele não ir. E eu não queria ficar sozinha. Entendi que remexer no passado quando você não tá bem, é a pior coisa que se pode fazer. E sabe qual era o pior? Eu sabia a verdade, sabia que eu não gostava daquele cara, mas só por ter pensado sobre ele, me senti culpada, como se eu tivesse traído a confiança de uma pessoa que era a que eu mais confiava no mundo. Talvez ele não acredite, mas naquele dia não aconteceu nada. Eu nunca seria capaz de trair alguém. Mas pensar nisso ainda me dá arrepios, pensar no dia em que eu acordei de uma forma tão desesperada que eu nunca pensei que fosse possível. 

Vou detalhar tudo o que aconteceu naquele dia. Eu combinei de sair com meu amigo, a menina que ele gostava e uma amiga dela. Porém, as duas meninas não apareceram e ficamos só eu e ele no bar. Bebemos cerveja, acho que comemos uma batata.. não me lembro bem. E lembro de estar passando um jogo na TV, e eu falava: 
- Meu namorado deve estar assistindo esse jogo, ele é fascinado por futebol, você tem que conhecer ele, vão se dar bem! 
E ele disse: - Com certeza tenho! Qual time ele torce?
- Torce pro palmeiras. Você joga em time de várzea?
- Eu jogo em um futebol perto da minha casa, mas time de várzea não.
- Meu namorado em um time, chama Pra lá de Bagdá, vou falar pra ele te chamar pra jogar com ele.
- Demorou!
- Acho que elas não vão vir né.. Ta demorando muito já.
- Vou mandar mensagem.
Alguns minutos depois...
- Ela disse que a mãe dela não deixou ela sair de casa. Não vai dar pra ela vir.
- Entendi.
Um celular dele toca e ele atende. É a mãe dele perguntando se ele vai jantar em casa. Ele me perguntou se eu queria ir jantar lá que a mãe dele ia fazer alguma coisa, eu disse que podia ser. Então fomos andando pra casa dele que não é muito longe do barzinho que a gente tava. Chagamos lá, eu dei oi pra irmã dele que fazia tempo que eu não via, ela tava muito grande! Dei oi pra mãe dele e pra uma outra moça. Acho que era namorada da mãe dele, mas não quis perguntar... Então fomos no quarto dele, ele sentou na janela e começou a fumar um cigarro de menta... Esses cigarros não tem o gosto tão ruim, então peguei um também. Ficamos conversando por um tempo sobre as coisas estarem diferente, contei que tava desempregada, que queria fazer faculdade mas não sabia o que eu queria. Ele disse que ele também. Alguns minutos depois a mãe dele disse que estava pronto. Descemos e comemos bife com uma salada de repolho. Depois de comer eu disse que tava tarde e eu precisava ir pra casa, ele pediu pra mãe dele me levar em casa. Ela me deixou em frente de casa, entrei, fui para o meu quarto e dormi um sono bem pesado. Foi quando o meu pesadelo começou. Acordei e a primeira coisa que eu pensei foi: Eduardo. E isso de alguma forma desencadeou alguma reação na minha cabeça que me deixou desesperada, não conseguia parar de chorar e ainda estava escuro, peguei meu celular, era 5 horas da manhã e meu namorado não devia estar acordado. Eu não sabia o que fazer, minha respiração estava rápida e meu coração tão acelerado que parecia que tinha corrido uma maratona. Depois de alguns minutos sem me acalmar, eu resolvi ligar pra ele mesmo assim. 
Ele atendeu e eu disse: - Eu quero que você volte, por favor, preciso que você volte.
Ele respondeu: - Como assim? Por que você tá chorando?
- Não sei, meu coração ta acelerado e eu não consigo para de chorar. Por favor, volta hoje.
Ele ficou bravo, porque achou que eu estava fazendo alguma birra. Mas ele não fazia ideia de tudo que eu estava sentindo.
- Eu vou voltar amanhã a tarde só e quando eu chegar, não quero te ver.
- Preciso falar com você, preciso te ver!
- Eu vou pensar se quero te ver.
E ele desligou.
Não consegui mais dormir, fiquei acordada até de manhã. Então minha mãe entrou no quarto e me viu chorando e falou: - O que foi?
Eu disse: - Mãe, eu não sei o que ta acontecendo. Eu não consigo parar de pensar no Eduardo, acho que eu gosto dele. Mas não é possível, eu vi ele 2 vezes! Eu não gosto dele mãe.
- Bianca, você não namora o Paulo? Então você gosta do Paulo.
- Mas então porque não consigo para de pensar no Eduardo?
- Isso é besteira da sua cabeça. Para de chorar.
E então saiu do quarto. 

Depois disso as coisas só foram piorando. A crise de pânico é uma coisa realmente assustadora. Me fez perder todos os sentidos. Eu senti que não sabia mais quem eram as pessoas a minha volta e nem mesmo quem eu era. Sentia tanto medo. Pesquisava no Google formas de fazer isso passar, e saber se o que eu sentia era normal. Sempre tinha aquela maldita formigação na minha cabeça e eu tinha certeza que ia morrer. Minha mente estava sempre agindo como se eu tivesse em perigo eminente. Os "e se" me matavam aos poucos. E se eu encontrar ele na rua? E se eu gostar de outros caras? E se entrar um bandido no ônibus e atirar em todo mundo? E se eu perder o controle? E se eu não sei mais quem eu sou? E se eu perder o Paulo? E se eu não gostar mais dele? E era assim o dia inteiro todos os dias durante meses. Um dia decidi que queria tentar algo diferente, já que nada funcionava.
- Paulo, eu quero ir na igreja.
- É sério? 
- Sim, quero mesmo ir na igreja.

Posso dizer? Essa foi a melhor escolha que já fiz na minha vida.

Conheci jesus. Deus me encontrou e tirou meu sofrimento. Me escutou, me consolou e deu a oportunidade que me tirou do mundo que eu vivia na minha cabeça. Eu entreguei minha vida e ele me curou e me transformou. De uma menina que era dependente dos outros, que sempre estava em segundo plano, que era ingênua e deixava as pessoas se aproveitarem dela para uma mulher independente, forte, que sabe muito bem quem é, o que quer, o que gosta e o que não gosta, cheia de novos sonhos e muito mais sociável. Com ambições de querer ser uma pessoa melhor, de deixar os sentimentos ruins e substituir pelos bons. Com o objetivo de amar as pessoas pelo que elas são, ajudar os que não tem condição, e me dedicar cada vez mais a Deus.

Pessoas

Eu estive pensando sobre as amizades. Na verdade, sobre todas as pessoas que temos na nossa vida. Será que algumas pessoas realmente temos de manter uma relação? Eu acredito que amigo não é aquela pessoa que te puxa pra baixo, nem para trás, mas anda do seu lado sempre enquanto você continua avançando. E as vezes tem essas pessoas que parecem ter prendido uma bola de ferro no seu pé, como um bandido na prisão, e não te deixam sair do lugar. Esse é o tipo de pessoa que eu não quero ter uma relação. 


Há algum tempo atrás, mais ou menos uns 4 ou 5 anos, eu tinha muitos amigos, de todos os tipos e de todos os lugares. Amigos de festa, amigos da escola, amigos do bairro e melhores amigos. Porém, comecei a olhar bem pra mim, e pensar qual era a influência deles na minha vida. E percebi que a maioria só tinha influências ruins. Notas baixas, fazer coisas erradas, me colocar no meio de confusões. E eu afastei todos, sem exceção. E hoje eu acho que isso tenha sido errado. Já foi dito há tempos que o ser humano não consegue viver sozinho. Resultado: Me apeguei tanto a uma só pessoa que, quando achei que ia perdê-la, entrei em colapso. Hoje posso dizer que a melhor forma é saber lidar com cada pessoa, ter opinião própria e caráter, e quando uma pessoa não te permite ser quem você é, ou tomar suas próprias decisões, aquela que te prende uma bola de ferro no pé, essas sim você deve afastar.



Na época eu tinha 15 anos, hoje tenho 22. Foi bastante tempo sozinha. Achei até que tinha perdido o jeito pra fazer amigos, não sabia falar com as pessoas. Não sabia fingir que me interesso pelos problemas deles e pelos assuntos que eles gostam de falar. Mas o problema continuava não sendo dos outros, e sim meu. Por que eu não me interessaria? Simplesmente por que não? Eu percebi que devia me interessar por alguma coisa além de eu mesma. E se eu pudesse ajudar alguém simplesmente por ter ouvido seus problemas? Eu fui realmente egoísta. Mas agora não quero mais ser assim. Estou abrindo as portas de novo para que as pessoas entrem na minha vida. Até mesmo as que sempre estiveram por perto e eu nunca dei uma chance.



As pessoas são fonte de alegria na nossa vida, mas também são fonte de tristeza, raiva, agonia e rancor. Na mesma época em que eu afastei as pessoas, também houve muita desconfiança, porque eu era muito ingênua e as pessoas simplesmente pisavam em mim. Teve um acontecimento que me marcou como uma ferradura quente marca um boi. Era uma pessoa que eu já não tinha muita afinidade, mas um dia resolvi dar uma chance a ela. E ela me disse uma coisa que me deixou uma semana sem comer, uma coisa que toda vez que eu pensava, tinha vontade de vomitar. Se virou para outra "amiga" e disse: você precisava ver a cara dela quando eu disse. Talvez, meu namorado pense que eu não gosto dessa menina por causa do menino que eu gostava na época, mas não é. É simplesmente porque ela é uma pessoa ordinária, pela sua atitude que eu nunca vou esquecer. É até um alivio falar disso, porque eu sei que não deveria guardar tanto rancor, mas tem várias coisas em mim que estão erradas, então...



As vezes sinto falta de alguém que eu poderia conversar todos os dias. Meu namorado é meu melhor amigo, mas não posso falar mal dele pra ele. kkkk

O motivo


Quando leio livros fico totalmente inspirada a escrever sobre meus pensamentos. Não como um diário, ou algo parecido. Como se eu gostaria que as pessoas soubessem o que eu aprendi com aquela história. Sempre aprendemos algo com a experiência dos outros, mesmo que seja fictícia.

O livro que me inspirou a escrever foi a trilogia de Rick Yancey, A 5ª onda. Um livro que fala sobe uma invasão alienígena, onde eles controlavam os seres humanos para se exterminarem. Caso você não tenha lido esses livros, tenha certeza de que não quer realmente ler, porque o conteúdo desse texto é puro spoiler. Não que tenha alguém pra ler o que eu estou escrevendo, mas foi divertido fingir que sou blogueira. Vou dizer aqui o que aprendi no fim da história: Qual é o contrário do amor. Sabemos lá no fundo que não é o ódio, porque ele também pode se transformar em amor um dia. Então qual seria a resposta? A indiferença. E essa é o tema do livro: Como tirar do ser humano sua humanidade. Quando algo fora dos padrões de sanidade que um ser humano tem acontece, dizemos: que desumano! Mortes, abusos, trapaças, e outras mais, são frutos da indiferença. Qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de sentimento, até mesmo ódio, faria uma reflexão se isso realmente deve ser feito e chega a conclusão de que é errado. Porém a indiferença é o que faz uma pessoa pegar uma faca e cortar a carne de outra, sem se preocupar na dor, que você está tirando o direito de viver de alguém e que haverá consequências.

Indiferença é o oposto de amor. Amor de uma garota que se explodiu com a nave alienígena para salvar, não seus amigos, nem seu irmão, nem seu namorado, mas para salvar a humanidade, para que eles tenham uma chance de se refazer ou de se reinventar. Isso me lembra aquela velha história de um filho de carpinteiro que saiu da sua casa e caminhou em direção a uma cruz, que se sacrificou não por sua mãe,  por seu pai, ou por seus amigos, mas para dar uma chance a humanidade de se reinventar, pelo amor que sentia pelas pessoas.