Já faz um tempo que não falo sobre o meu colapso, a crise de pânico. Já faz mais ou menos 2 anos. É uma daquelas coisas que simplesmente não tem explicação, mas me esforço o máximo possível pra que aquilo nunca mais aconteça. Tudo por causa de uma simples viagem. Como eu já tinha dito no post passado, quando você não tem ninguém, acaba de apegando demais a única pessoa que tem. Me apeguei tão forte que quando pensei que ia perder, entrei em desespero. Eu sei o valor que tem meu namorado, ele é a pessoa mais boa e direito que eu já conheci e eu nunca vou encontrar uma pessoa assim de novo, era o que eu pensava na época. E o fato de eu ter me confundido achando que gostava de outra pessoa, me deixou em pânico. Como eu pudia ser tão ridícula, como eu poderia gostar de outra pessoa se a pessoa que eu tenho é perfeita. Como eu deixei isso acontecer? Mas eu pedi pra ele não ir viajar, e ele foi mesmo assim. Eu sabia que eu não estava bem e eu só pedi pra ele não ir. E eu não queria ficar sozinha. Entendi que remexer no passado quando você não tá bem, é a pior coisa que se pode fazer. E sabe qual era o pior? Eu sabia a verdade, sabia que eu não gostava daquele cara, mas só por ter pensado sobre ele, me senti culpada, como se eu tivesse traído a confiança de uma pessoa que era a que eu mais confiava no mundo. Talvez ele não acredite, mas naquele dia não aconteceu nada. Eu nunca seria capaz de trair alguém. Mas pensar nisso ainda me dá arrepios, pensar no dia em que eu acordei de uma forma tão desesperada que eu nunca pensei que fosse possível.
Vou detalhar tudo o que aconteceu naquele dia. Eu combinei de sair com meu amigo, a menina que ele gostava e uma amiga dela. Porém, as duas meninas não apareceram e ficamos só eu e ele no bar. Bebemos cerveja, acho que comemos uma batata.. não me lembro bem. E lembro de estar passando um jogo na TV, e eu falava:
- Meu namorado deve estar assistindo esse jogo, ele é fascinado por futebol, você tem que conhecer ele, vão se dar bem!
E ele disse: - Com certeza tenho! Qual time ele torce?
- Torce pro palmeiras. Você joga em time de várzea?
- Eu jogo em um futebol perto da minha casa, mas time de várzea não.
- Meu namorado em um time, chama Pra lá de Bagdá, vou falar pra ele te chamar pra jogar com ele.
- Demorou!
- Acho que elas não vão vir né.. Ta demorando muito já.
- Vou mandar mensagem.
Alguns minutos depois...
- Ela disse que a mãe dela não deixou ela sair de casa. Não vai dar pra ela vir.
- Entendi.
Um celular dele toca e ele atende. É a mãe dele perguntando se ele vai jantar em casa. Ele me perguntou se eu queria ir jantar lá que a mãe dele ia fazer alguma coisa, eu disse que podia ser. Então fomos andando pra casa dele que não é muito longe do barzinho que a gente tava. Chagamos lá, eu dei oi pra irmã dele que fazia tempo que eu não via, ela tava muito grande! Dei oi pra mãe dele e pra uma outra moça. Acho que era namorada da mãe dele, mas não quis perguntar... Então fomos no quarto dele, ele sentou na janela e começou a fumar um cigarro de menta... Esses cigarros não tem o gosto tão ruim, então peguei um também. Ficamos conversando por um tempo sobre as coisas estarem diferente, contei que tava desempregada, que queria fazer faculdade mas não sabia o que eu queria. Ele disse que ele também. Alguns minutos depois a mãe dele disse que estava pronto. Descemos e comemos bife com uma salada de repolho. Depois de comer eu disse que tava tarde e eu precisava ir pra casa, ele pediu pra mãe dele me levar em casa. Ela me deixou em frente de casa, entrei, fui para o meu quarto e dormi um sono bem pesado. Foi quando o meu pesadelo começou. Acordei e a primeira coisa que eu pensei foi: Eduardo. E isso de alguma forma desencadeou alguma reação na minha cabeça que me deixou desesperada, não conseguia parar de chorar e ainda estava escuro, peguei meu celular, era 5 horas da manhã e meu namorado não devia estar acordado. Eu não sabia o que fazer, minha respiração estava rápida e meu coração tão acelerado que parecia que tinha corrido uma maratona. Depois de alguns minutos sem me acalmar, eu resolvi ligar pra ele mesmo assim.
Ele atendeu e eu disse: - Eu quero que você volte, por favor, preciso que você volte.
Ele respondeu: - Como assim? Por que você tá chorando?
- Não sei, meu coração ta acelerado e eu não consigo para de chorar. Por favor, volta hoje.
Ele ficou bravo, porque achou que eu estava fazendo alguma birra. Mas ele não fazia ideia de tudo que eu estava sentindo.
- Eu vou voltar amanhã a tarde só e quando eu chegar, não quero te ver.
- Preciso falar com você, preciso te ver!
- Eu vou pensar se quero te ver.
E ele desligou.
Não consegui mais dormir, fiquei acordada até de manhã. Então minha mãe entrou no quarto e me viu chorando e falou: - O que foi?
Eu disse: - Mãe, eu não sei o que ta acontecendo. Eu não consigo parar de pensar no Eduardo, acho que eu gosto dele. Mas não é possível, eu vi ele 2 vezes! Eu não gosto dele mãe.
- Bianca, você não namora o Paulo? Então você gosta do Paulo.
- Mas então porque não consigo para de pensar no Eduardo?
- Isso é besteira da sua cabeça. Para de chorar.
E então saiu do quarto.
Depois disso as coisas só foram piorando. A crise de pânico é uma coisa realmente assustadora. Me fez perder todos os sentidos. Eu senti que não sabia mais quem eram as pessoas a minha volta e nem mesmo quem eu era. Sentia tanto medo. Pesquisava no Google formas de fazer isso passar, e saber se o que eu sentia era normal. Sempre tinha aquela maldita formigação na minha cabeça e eu tinha certeza que ia morrer. Minha mente estava sempre agindo como se eu tivesse em perigo eminente. Os "e se" me matavam aos poucos. E se eu encontrar ele na rua? E se eu gostar de outros caras? E se entrar um bandido no ônibus e atirar em todo mundo? E se eu perder o controle? E se eu não sei mais quem eu sou? E se eu perder o Paulo? E se eu não gostar mais dele? E era assim o dia inteiro todos os dias durante meses. Um dia decidi que queria tentar algo diferente, já que nada funcionava.
- Paulo, eu quero ir na igreja.
- É sério?
- Sim, quero mesmo ir na igreja.
Posso dizer? Essa foi a melhor escolha que já fiz na minha vida.
Conheci jesus. Deus me encontrou e tirou meu sofrimento. Me escutou, me consolou e deu a oportunidade que me tirou do mundo que eu vivia na minha cabeça. Eu entreguei minha vida e ele me curou e me transformou. De uma menina que era dependente dos outros, que sempre estava em segundo plano, que era ingênua e deixava as pessoas se aproveitarem dela para uma mulher independente, forte, que sabe muito bem quem é, o que quer, o que gosta e o que não gosta, cheia de novos sonhos e muito mais sociável. Com ambições de querer ser uma pessoa melhor, de deixar os sentimentos ruins e substituir pelos bons. Com o objetivo de amar as pessoas pelo que elas são, ajudar os que não tem condição, e me dedicar cada vez mais a Deus.